Mito 1: “Quem tem uma doença grave não se interessa por sexo”
Escutamos este mito com frequência. A crença parece ser generalizada.
A literatura, e a prática clínica, demonstram que os impactos negativos do diagnóstico (sintomas ansiosos e depressivos), os efeitos (principais e secundários) dos fármacos, a desvalorização do tema pelos profissionais de saúde e as atitudes de reprovação por parte das famílias, prejudicam a sexualidade.
Várias investigações evidenciam que a vivência da sexualidade de modo saudável e prazeroso contribui para uma melhor adaptação, assim como para a melhoria do bem-estar geral.
Concluímos assim que, mais do que a perda de interesse da parte de quem enfrenta uma doença grave, as circunstâncias biológicas, sociais e culturais, condicionam e tendem a reprimir a expressão da sexualidade.
Mito 2: “Quem tem uma doença oncológica não deve ter relações sexuais”
Um número significativo de pessoas considera que ter relações sexuais prejudica a saúde daqueles que enfrentam uma doença oncológica. Acreditam que a atividade sexual implica um desgaste físico e psicológico (“consumo de energia”) que será prejudicial à saúde.
Com a exceção de situações específicas, habitualmente dependentes da localização do tumor (por exemplo, localizações genitais), que podem contraindicar o sexo penetrativo, as relações sexuais podem ocorrer.
Lembre-se que o “sexo” vai muito além da penetração!
Mito 3: “Os idosos já não têm interesse no sexo, nem conseguem sentir prazer”
O interesse, a atividade sexual e a capacidade de ter prazer existem ao longo de toda a vida.
O avançar da idade pode, inclusive, trazer potenciais vantagens na vivência da sexualidade. Com a idade, a pessoa sabe o que lhe permite maior prazer, estímulo e motivação. No sexo, não é diferente, podendo “a idade” ser uma oportunidade para viver de forma plena a intimidade e a sexualidade.
Frequentemente, é a perda de privacidade (porque vivem com familiares, ou estão institucionalizados), a perda do(a) companheiro(a), a culpa por sentir desejo sexual na condição de viuvez, reações de reprovação por parte dos cuidadores, e o sentimento de menor atractibilidade, que limitam e prejudicam a expressão da sexualidade nos mais velhos.
Mito 4: “Não é apropriado falar com o médico sobre sexo”
A maioria dos utentes dos serviços de saúde não conversa com a equipa de saúde sobre questões relacionadas com a sexualidade. De modo geral, não o fazem por vergonha, porque desvalorizam o assunto face a outras questões de saúde, ou por considerarem que o profissional de saúde não está disponível para “desperdiçar” tempo com este tema.
Este é um mito que importa desfazer.
A sexualidade é uma área da qualidade de vida global. Os profissionais de saúde estão disponíveis e cada vez mais preparados para acolher as suas questões, aconselhá-lo e orientá-lo.
*Mito é uma narrativa fabulosa, de origem popular. Representação falsa e simplista, mas geralmente admitida por todos os membros de um grupo (Dicionário Língua Portuguesa, Infopédia – Porto editora)
22 de março de 2025
Piedade Leão e Elda Freitas